Corrida dos Reis, 10K
Bom ano,
Porque o Natal é quando o Homem quer, dezembro, foi repleto de corridas de São Silvestre e jantares de natal. É um mês de muitas comidas, parece natal, quase, todos os dias! Para quem faz anos nesse mês, repete a dose!
Foram muitas contagens de hidratos e outras tantas correções nas doses de insulina. Terminei o ano a correr, a comer e a fazer contas... Fui às São Silvestres de Penamacor e Castelo Branco e a 6 de janeiro, pela 1ª vez, fiz a Corridas dos Reis em Caféde, também, 10K.
São provas relativamente rápidas, quer dizer, mas tenho de ir sempre a correr para fazer menos de 50 minutos! NO MEU CASO, para este tipo de atividade, altero muito pouco nas doses de insulinas rápida e lenta. Com o FreeStyle Libre estamos "online" antes, durante e depois da corrida. Antes tenho uma refeição normal, talvez coma um pouco mais, para evitar uma descida de açúcar, mas levo sempre um gel! Na refeição posterior as doses de insulina têm o acerto, reforço a alimentação e se for a altura da dose repartida da lenta, normalmente baixo.
Reforço que a informação, nos meus comentários, às atitudes que tenho com a minha diabetes, apenas dão uma ideia da minha convivência com a patologia e, tentam, desmistificar ideias...
Já vamos quase em fevereiro e as contas para a próxima época desportiva já estão a ser feitas... 5 ou mais refeições por dia 365x7x24h, isto nunca pára!
Boas contagens,
casf
Nota: 23 de janeiro foi o dia, há muitos anos, em que se utilizou pela 1ª vez, a insulina como tratamento para a diabetes, até lá era "aceitar" a fatalidade... De notar que hoje em dia, nem todas as pessoas DT1 e mesmo alguns DT2, tem acesso à mesma.
Gerês Extreme Marathon, 42K
Boas corridas,
O Sérgio Moreira, o nosso cicerone para a “maratona mais dura e bonita do mundo” comunicou-me em Abril e num encontro nosso em Cascais, desafiava também o Fernando Santos.
Passados 8 meses encontrá-mo-nos na “Gerês Extreme Marathon”, 42K repartidos por 3 atletas, portadores de diabetes, Tipo 1.
Fiquei em Braga na casa de, já posso considerar assim, um “familiar da diabetes”, só lá faltava o homem que a “arranjou”, o resto estávamos todos; os miúdos, as canídeas, os adultos, as iguarias no norte e até algumas da beira... A minha glicémia mostrou-se educada como nos melhores colégios da Europa, manteve-se, respeitosamente, na “linha”! Comemos bem, conversamos muito, mas, dormimos pouco. As doses de insulina a horas trocadas, as reduções necessárias pelo esforço que se ia fazer, o stress de sair muito cedo para não chegar atrasado, tudo isto, numa fórmula que nada tem de matemática, é quase um “tiro às escuras”...
O Sérgio “abria o caminho” para os primeiros 14K, com um desnível daqueles em que as pernas vão sempre a gritar, ora subia, ora descia, “um carrossel” adjetivava o Fernando.
Os das estafetas tinham saída de autocarro antes, isto representava esperar mais de hora e meia pelo relevo. Como o dia estava cinzento na Vila do Gerês, lá em cima, perto dos 900m de altura, eu que ia para “ver as vistas”, não tive a tarefa facilitada. Havia nevoeiro e uma chuva miudinha que ia e vinha, nesse ponto de abastecimento, amavelmente, serviram-nos chá quente e/ou cevada e esperámos...
Estava com dois sensores Libre, acabando um tinha uma hora pelo início do outro, neste procedimento, no meio dos aquecimentos que todos optamos por fazer, incentivados pela chuva e o frio que fazia, passa o primeiro atleta solo dos 42K. As mãos não mais pararam de incentivar os atletas e começam os relevos, o norte estava em força, eram 48 estafetas, aparece o Sérgio e trocámos o testemunho, entreguei-lhe uma camisola aquecida, boa sorte e fui!
Nos primeiros 4K, sempre a subir em direção à mata da Albergaria, ultrapassei 3 estafetas, não apanhei mais. As árvores formosas e altas, têm tanto de belo como de místico, o tal nevoeiro, pingava-nos no corpo serra acima, mas esta serra do Geres é fantástica sobretudo para visitar sem pressão! Ia com o compromisso de não defraudar, indiretamente estava “aos saltos” assim como a glicémia, daquele “tiro” lá atrás, do stress, ou o tempo de esperar uma hora para nova leitura, ela estava “indomável”!!! Corrigi com duas unidades, mas não baixou muito, passei pela cascata de Leonte, entramos mata dentro, ladeamos a barragem de Vilarinho das Furnas, chegámos à estrada, outra vez, e subimos mais um pouco...
O Fernando estava à minha espera no Museu da Jeira Romana, entrega-me o seu casaco e segue, como ele bem sabe fazer, a “abrir”. Era o nosso “check-mate” e não era por mero acaso, campeão europeu de maratona em atletas portadores de diabetes, conquistada este ano na maratona de Roma, “embrulhou nas pernas” 8 estafetas. Eu, ao entrar no autocarro que nos levava para a meta, tive tempo de mandar uma sms a dizer que ia a caminho para acordar à chegada...
O Ultra Diabético Sérgio Moreira já tinha sido entrevistado pelo speaker para falar da equipa de 3 diabéticos T1, do Projecto blue O e da desmistificação da diabetes no desporto, insisto, é um complemento do seu tratamento. Voltei a fazer correção ao valor da glicemia, estava a terminar de comer o caldo aquecido em panelas de ferro, quando chega o Fernando Santos a Correr com Diabetes. Acabámos na posição 15º de 48. Não interessa a camisola, os tempos e/ou as personagens, importante é a tua atitude perante a tua diabetes, temos de ser um para o outro. Passámos a mensagem.
Quanto à Serra do Gerês, count me in!
casf
14 Nov "Prevenir e viver com a diabetes"
Bom desporto,
Foi com todo o interesse e motivação, para ajudar à sua desmistificação, que participei na palestra "Prevenir e viver com a diabetes", promovida pelo Agrupamento de Escolas Amato Lusitano alusiva ao dia mundial da diabetes, 14/11.
Obrigado pelo convite.
Projecto blue O
Trail Abrantes, 25K
Boas corridas,
A última vez que estive em Abrantes para participar num evento desportivo foi em 2012, na altura era o BTT, 6h de resistência, incluídas nas provas de 24h. A diabetes acompanha-me sempre, é ela quem disfruta disto tudo, na realidade é só passeio “às minhas pernas”!!!
Este ano fui à versão mais simples do “Trail Abrantes 100”, 25K. Fui com a logística toda e encontrei-me com o meu amigo José Amaro que está um “pró”, pelo menos, quase todos os fins-de-semana marca presença, este, vinha a descomprimir da maratona de Lisboa. Verdade seja dita estava com uma direta, durante a noite, deu apoio ao amigo Moisés, que fazia a solo os 100K!
Nos primeiros 5K, a dada altura, passei por um corredor que me diz “diabetes?!”, levantei a mão e respondi “presente”! Era de Gaia e conhecia o Moreira, passámos uns 5 min à conversa sobre os exemplos de quem “leva a diabetes a passear”, sobretudo durante uns valentes quilómetros e com isso o Projecto blue O vai aumentando o seu Curriculum.
Ia “levezinho”, mas a glicémia subiu com uma banana e uma “pitada” de nervosismo, normal em mim. Era um percurso muito rolante, sem tecnicidade. Os abastecimentos eram do melhor, em variedade e qualidade, muito bons, e estavam repletos de gente que dava assistência aos atletas das estafetas; dos 100k e 50k. Uma alegria ver e ouvir as “forças” das suas vozes. Repunha líquidos, com água, coca-cola e refiz o Vitargo Electrolyte, trinquei alguns hidratos rápidos, mas poucos. A glicémia com este tipo de percurso “gasta-se" pela quilometragem e não pela adrenalina!
Desde Janeiro que não praticava trail, no seu formato original, e claro, não foi o subir e descer escadas, uma ou duas semanas antes, que me livraram da “marreta”. “Tocou-me” numa perna e “magoou-me” numa planta do pé. Isto é da idade, dizem alguns, da falta de treino, digo eu, e da loucura de quem quer ser livre, diríamos todos os que por lá andaram e voltam sempre!
Parecia combinado, mas não foi, e num descampado estava um apoiante, que dava forças aos que iam passando quando me pergunta, eu sem parar, “onde arranjaste essa t-shirt?”, respondi “fui o fulano que inventou isto”... Não parei, mas ele soube o que fazer...
Os últimos 5K fiz no misto de caminhada e corrida “leve”. A glicémia era a única que estava impecável, 100 e poucos... Estava o meu pequeno à minha espera, para me acompanhar à meta e contou-me tudo do que já se tinha passado, quem chegou, posições, tempos e eu a arrastar-me!
Já depois de “cruzar o risco” vei ter comigo o apoiante do descampado, era o Joao Martins, DT1 recém diagnosticado, pai de um rapaz, também ele DT1, e falámos sobre os amigos comuns, da diabetes e do desporto. Ele já é um exemplo no hospital onde é seguido, e com o filho, “tratam a diabetes por tu”! Pareciam cerejas, as conversas e os amigos, e acabei por “arrastar” o tempo até verificar novamente a glicémia, resultado hiper para cima!
Depois do banho, do almoço e de mais conversas, o meu amigo e organizador Nuno, confirmou a minha presença para 2019, eu para falar de desporto e diabetes, a ela vou pô-la a treinar, para melhorar o tempo deste ano!
Corridas boas,
casf
casf
#SpOrtgivechance, Itália, Spoleto
Bom desporto,
Ser convidado para ir a Itália representar a FPAD - Federação Portuguesa das Associações de Pessoas com Diabetes, é sinónimo de, em algum ponto, se estar a fazer a diferença e isso é graças ao "Projecto blue O".
De Portugal fomos 23 pessoas, maioritariamente com diabetes, enfermeiras - todas conhecedoras na 1ª pessoa - médicas da especialidade e acompanhantes. Estiveram 16 países num total de 320 atletas.
O município de Spoleto - Umbria, Itália - através de parceiros nacionais e internacionais, pelo Programa Erasmus +, desenvolveram o projeto com o nome “Diabetic Runners and Cyclists for more sport for all in Europe - "#SPORTGIVECHANCE"” promovendo o desporto na sua envolvente social e capacidade de inclusão.
A FPAD marcou os primeiros pontos logo pela empatia que gerou no "transfer" para Cascia, local de repouso da nossa delegação, da Turquia, Hungria e Bulgária. Para o ano levamos os galhardetes para trocar!
A logística foi enorme e a organização não teve "mãos e pés a medir", no espaço de horas, do programa que nos foi entregue para os 4 dias, haviam alterações e/ou os horários eram atualizados, mas tudo se fez, ou não fosse a nossa líder - "big chefe" - bilingue em Português - Italiano. Tendo lá trabalhado durante 10 anos, era “tu-cá, tu-lá”, gesticulando à medida que falavam, mas sempre com a calma característica da nossa líder... Digno de filme!
As visitas à cidade e os seus pontos de interesse turístico, palestras e colóquios, caminhadas, gincanas para os mais pequenos, e não só, ensaios e as provas de ciclismo de estrada e BTT - 200K e 50K e as corridas citadinas - 11K e 20K.
Portugal destaca-se nas comparticipações associadas à diabetes, algumas na sua totalidade e outras em grande parte; insulinas, glicómetros, agulhas, fitas, lancetas, canetas o Libre. Não confundir com o “ser gratuito”, tudo é pago diretamente por nós, contribuintes, haja saúde! Na disponibilização das bombas de insulina ainda há muito trabalho a fazer, sobretudo, pela existência de uma burocracia orçamental governativa "de 4 anos", se compararmos com alguns países em que é receitada numa consulta da especialidade com todos os benefícios que daí advêm, qualquer um deveria poder experimentar, pelo menos!
A FPAD convocou várias associações nacionais para este encontro, sendo uma experiência enriquecedora a todos os níveis. Fui a “cara” do Projecto blue O e da Associação dos Diab(R)etes-Portugal e voltei a reencontrar os amigos da ANIAD - Associação Nacional Italiana de Atletas Diabéticos, que não falham uma prova! Era durante as refeições que se criavam muitas das sinergias nos pormenores da diabetes, a dita contagem de hidratos dá “pano para mangas”… Há quem tenha balanças ao estilo de um espião (pequenas e discretas), e é tão bom ficar a saber mais sobre a diabetes, sobretudo neste contexto tão importante.
Nestas conversas troco algumas ideias e adquiro sempre novos conhecimentos. Fiquei a conhecer novas pessoas desta “família” e com outros diálogos descobri que, a provável, dor no meu ombro que tive durante vários meses, "frozen sholder", tem uma forte probabilidade de estar associada com a minha diabetes de mais de 20 anos! Muita literatura que tenho pela frente...
Eramos só DT1, e havia de tudo, desde quem tem diabetes há mais de 40 anos até aos adolescentes com a idade das experiências, que também fazem parte! Partilho 2 exemplos; uma criança de 8 anos que “funciona como um Ferrari” com a sua diabetes e a mãe, médica e endócrinologista, era como a “chefe da oficina”, afinava e fazia ajustes no “motor”, só mesmo para estar “tudo a postos”. Privei com um adulto que nunca tinha estado num evento assim, menos ainda, só com pessoas com diabetes. Reconheceu de imediato a “grande empatia que se cria” com as pessoas e os conhecimentos. A minha opinião sobre o facto de “escondermos” a nossa condição “isola-nos" do mundo na qual a diabetes tem de participar, faz parte da aceitação. Participou na prova de BTT, 50K, com 2000m de acumulado positivo, em que na sua condição, e tudo correu bem, várias vezes lhe reforçaram a coragem e o exemplo. Percebe-se a força com que se fica para tratar a nossa diabetes e partilhar com os outros como é possível?
Na gincana de obstáculos os pequenos superaram os medos que "levavam nos pedais"... Na corrida de 11K todos finalizaram, uns numa estreia, outros com “recorde pessoal”, outros a caminhar, mas todos com sentimento de superação pessoal. Fica-se com uma força maior para tratar da nossa diabetes. Nos 21K trouxemos um 1º e um 6º lugar. O nosso 1º lugar já tem currículo em Itália e até é campeão europeu de maratona, 42K, para atletas com diabetes.
A FPAD - Federação Portuguesa das Associações de Pessoas com Diabetes apelidou-nos de “fenómenos” pelas nossas atitudes, que perante a diabetes, são as pessoas que munidas das ferramentas necessárias tomam ações, mostrando que é possível desmistificar a doença, cada um à sua maneira. Obrigado.
Desporto bom,
casf
casf
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